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A república dos agrados

Paulo Rodrigues Vieira, por sugestão de Rosemary Noronha, foi indicado pelo então presidente Lula para diretor da Agência Nacional de Águas. Por duas vezes, o plenário do Senado rejeitou a indicação. Coube ao senador José Sarney promover uma terceira votação, algo inusitado, quando se deu a aprovação.

 Um agrada ao outro…

Qual a leitura desse episódio que até hoje era desconhecido até de muitos senadores?

Que Rosemary Noronha, chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, tinha excepcional influência sobre o Lula, presidente da República. E que o Lula influía como ninguém sobre José Sarney, presidente do Senado, que por sua vez influía no governo indicando gente para diretorias de empresas estatais e penduricalhos.

Agora que Paulo Rodrigues Vieira foi preso pela Polícia Federal, acusado de corrupção, além de ser demitido por Dilma da diretoria da ANA, qual a conclusão a tirar? Claro que nem o Lula nem Sarney terão responsabilidade direta nas falcatruas do apadrinhado de Rosemary Noronha, mas que vai barro para todo lado, atirado sobre o ventilador do poder, isso vai.

Revela a História tratarem-se as influências de fenômeno corriqueiro no Brasil, desde Pedro Álvares Cabral, mas nem por isso de vez em quando deixa de haver curto circuito entre fios tão interligados. Rose agradou Lula, que retribuiu o agrado deixando Rose agradar Vieira, que foi agradado por Sarney, que agradou Lula para ser por ele agradado. É a República dos Agrados.

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CPI DA ROSEMARY, NEM PENSAR

Se tem oposicionistas imaginando criar a CPI da Rosemary, seria bom desistir. A CPI do Cachoeira desmoralizou para sempre o instituto das CPIs. Não chegam a lugar algum, prestam-se a conluios partidários. No máximo, servem para a exposição de desconhecidos parlamentares por quinze minutos nas telinhas, geralmente dando vexame.

Já foi o tempo em que as CPIs ajudavam a Justiça e a imprensa a elucidar malfeitos e esclarecer vigarices. Os tribunais ficaram mais rápidos e a imprensa, mais ágil, registrando-se a inversão de valores. Hoje, as CPIs valem-se do noticiário e da tramitação de processos judiciais para elaborarem suas pautas. Em seus depoimentos, as testemunhas convocadas repetem o que já foi publicado e julgado.

Ainda mais porque dona Rosemary certamente repetiria Carlinhos Cachoeira e sua quadrilha, alegando o direito constitucional de permanecer calada. Também, se falasse…

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O REGIME INICIAL DA PENA

Muitos mensaleiros estão recebendo penas inferiores a oito anos de reclusão, situação que lhes faculta seu cumprimento em regime semiaberto. Terão que dormir na prisão, mas passarão o dia em casa ou trabalhando onde a Justiça determinar. Trata-se de uma benevolência da lei, mas, descobriu-se agora, não é automática. Se o juiz quiser, no caso de penas inferiores a oito anos, poderá determinar que parte da condenação seja cumprida em regime fechado, quer dizer, na cadeia mesmo, 24 horas por dia.

Tem gente achando que será essa uma das últimas cartas do ministro Joaquim Barbosa a ser lançada na mesa do Supremo Tribunal Federal. Porque certos réus punidos com sete anos e penduricalhos, não com oito anos ou mais, correm o risco de a mais alta corte nacional determinar que fiquem no regime fechado, ao menos por algum tempo.

*Carlos Chagas (TI)


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