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Ateia, graças a deus

Ateia, graças a deus

 

O vídeo do grupo de humor Porta dos Fundos, ‘Oh, meu deus!’, causou uma série de discussões essa semana que demonstram claramente a hipocrisia de nossa sociedade que, por conveniência e por questões econômicas e financeiras, se diz uma sociedade cristã.

Programas de humor fazem piadas sobre negros, pobres, sogras, gordas e outros, e isso não tem problema, mas foram mexer com Jesus (figura de profeta que supostamente viveu há 2.013 anos, implantando o cristianismo na sociedade), e mexer com Jesus ressuscita o que há de pior na mente insana de quem não tem tolerância para aceitar o diferente.

A bancada evangélica dos deputados, obviamente pelo fato deles não terem mais nada para fazer, entraram com vários processos contra o vídeo alegando que ele era ofensivo. Coordenados por quem? Adivinhem? Ele mesmo, o pastor, homofóbico e racista, Marco Feliciano. E para minha surpresa (e vergonha) a bancada feminina também resolveu apoiar o pastor e apresentaram uma carta de repúdio.

Vejam a lógica dessas pessoas que vão contra o Porta dos Fundos, para eles: chamar um negro de macaco é engraçado; dizer que um pobre é culpado pela situação de miséria em que vive por conta da preguiça é algo verdadeiro; comparar sogras com demônios e outras figuras malvadas é hilário; ridicularizar um gordo traumatizando-o ainda mais por não se encaixar em valores estéticos ditados pelo mundo capitalista da moda é algo que não pode faltar nas piadas. Porém, quando se fala de deus, quando ridiculariza crenças e superstições, aí já é algo ofensivo, ruim, preconceituoso.

O tal vídeo polêmico do grupo de humor é protagonizado pela atriz, cantora e compositora Clarice Falcão. Nele há uma denúncia sobre a valorização de imagens e rituais feita por um grupo de cristãos.

Em um exame de rotina ao ginecologista a paciente (veja vídeo anexo) surpreende o médico que visualiza na sua vagina a imagem de Jesus. O ginecologista fala que é Jesus mesmo, em “barba, cabelo e bigode” fazendo referencia a (falta de) depilação da paciente. E outros profissionais em saúde vão chegando e começa a adoração a imagem de Cristo com a paciente com as pernas abertas tendo que satisfazer a vontade dos crentes fanáticos.

Eu, que não me assumia ateia nem agnóstica, graças a “Oh, meu deus”, me senti mais ateia do que nunca. Além de muito engraçado o vídeo leva as pessoas mais inteligentes a refletirem sobre o quanto é ridículo pararem seus afazeres sérios, para se deixarem ser levados pela estupidez.

Além disso, percebemos que ainda vivemos em meio a dominação e preconceito de um só grupo religioso, alias, muito pior que isso: dominação de religião, seja ela qual for. A necessidade de mostrar que pertence a uma religião, de acreditar em algo que foge da realidade da sociedade e tentar colocar leis amenas de convivência baseada em algo supostamente inquestionável, move o ser humano há séculos, não será agora que vai mudar.

Porém o que já não cabe mais, mesmo por que faz de seus seguidores ridículos, é a tentativa de se sobrepor a outra religião e outra crença. Não há deus ou crença superior ou verdadeira. Ou todas são verdadeiras, ou nenhuma é. Eu, ultimamente, estou com a segunda opinião. Nem por isso deixo de me pautar no respeito e, principalmente, em no fato de todas merecerem direitos iguais: seja em questões de ordem, ou de piadas!

Clarice Falcão, ícone juvenil, é ateia e após a repercussão desse vídeo, deu declarações pertinentes a esse respeito. Tanto relacionado ao fato de nosso país privilegiar o cristianismo (como acontece com o fato do dinheiro ter escrito a frase ‘deus seja louvado’ fazendo com que outras religiões, inclusive próprias de nosso país, como a umbanda, fiquem prejudicadas). A frase ‘chuta que é macumba’ é falada e ninguém acha estranho, não se ofendem, dão risada, porém fazer piada com as religiões cristãs causam tanta revolta.

Todos hoje têm acesso aos meios de informação. Nada fica escondido, ou encoberto. Porém querem cada vez mais podar o trabalho de artistas e da imprensa. Seja com preconceito exacerbado ou com a alienação, tentando fazer com que as pessoas defendam o racismo, machismo, e outras formas de preconceito, como se fosse algo bom, em nome de um grupo.

Há uma tentativa de retirar da sociedade a liberdade de expressão e de pensamento. E obviamente quem mais se prejudica com isso são os ateus, negros, mulheres, pobres e outros grupos minoritários. Fala-se que não. Fala-se, por exemplo, em laicidade do estado. Mas é um “Estado laico, graças a deus”. Se for dar notabilidade a outra entidade, ou de nenhuma, isso pode causar uma guerra santa (veja Síria, Paquistão e alguns países africanos, como exemplos).

Para que não haja guerra santa, alguns ateus ficam no seu mundo de ciências e conquistas sérias para a humanidade. Outros lutam para devolver com a mesma moeda o preconceito que sofrem de crentes fanáticos. Outros, como eu, para evitar uma guerra, se colocam como ‘ateus, graças a deus’. Mesmo por que após anos acreditando (por conveniência, costume, pressão e medo da reação da sociedade) em uma figura divina, não é agora que vou contra ao que planejaram para mim, antes de eu nascer. Afasto-me aos poucos. Mas quando me deparo com ‘Felicianos’ por aí, tenho cada vez mais certeza que estou fazendo a opção certa em me assumir como ateia.


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