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Coluna: Maltratamos crianças, roubamos infância e mesmo assim queremos um mundo melhor

Maltratamos crianças, roubamos infância e mesmo assim queremos um mundo melhor

O mundo está espantado com o caso da mulher que foi presa por ter sido vítima de estupro em Dubai (sim, eu escrevi certinho: a vítima foi presa!). Mas como será que o mundo reagiria se soubesse que isso já acontece aqui no Brasil?

Acontece. Nossas vítimas de estupro são presas e/ou condenadas. Nossas prisões para esse tipo de vítimas são mais cruéis. É prisão domiciliar, prisão moral, prisão psicológica. As vítimas aqui no Brasil, principalmente quando se tratam de crianças estupradas, são consideradas culpadas pelo fato de terem sido agredidas. Seja pelo comportamento delas, pela roupa, por estarem no lugar errado e na hora errada.

Eu não esperava viver o suficiente para ver o que considero cumulo de ignorância de falta de humanidade do ser que se diz humano. Há poucos dias cinco acusados de estupro de vulnerável e aliciamentos de menores foram presos na região. As pessoas que são amigas dos estupradores quererem negar o fato e acreditarem que eles são inocentes é algo a se pensar possível, porém o que eu vi e presenciei foi algo totalmente absurdo: pessoas defendendo os estupradores por acreditar que os culpados eram as crianças!

Já estou acostumando a ver notícias de genocídio com criança, maus tratos e toda a forma de maldade que se possa ter sobre os menores que abandonamos no mundo. Com sociopatas invadindo escolas, estupradores, violentadores, pais que não sabem serem pais, Estado que não cuida dos direitos do menor, enfim uma onda de atrocidades mundiais contra as crianças.

Mas no Brasil, país que se diz cristão e cheio de valores religiosos de todos os tipos (excluindo e desrespeitando o número de ateus e agnósticos que temos), e que, por isso mesmo, pronuncia discursos de igualdade, bondade, amor ao próximo e fé num futuro melhor, é o mesmo país que pronuncia discursos contra as crianças e adolescentes, colocando, principalmente nos últimos, como culpados do rumo que o mundo está tomando.

Dentre as tentativas de passar a responsabilidade da incompetência de todos nós de lidar com esse país hipócrita que vivemos está um projeto de lei que está votação no Congresso que abaixa a idade de 14 anos para 12 anos de idade de uma criança para que, caso se relacione com um adulto, ele não seja acusado de estupro de vulnerável. Não temos mais como proteger as crianças de toda a nossa falta de amor ao próximo e agora vamos abaixando as idades para legalizar estupros.

Também querem abaixar a idade para prendê-las, em crimes cometidos pelo menor, rever os 18 anos da maioridade penal para 16 anos. Mais uma prova de nossa incompetência para organizar o Estado, criar projetos para livrá-los da criminalidade e das drogas, porém mostramos que temos muitas ideias de punição.

Sobre o infanticídio e esse apoio a matança e estupro de crianças na Bahia, estava vendo o que diz um estudioso no caso, Olavo de Carvalho, que apesar de algumas opiniões retrógadas e conservadores, me parece ser a opinião mais lúcida a respeito dessa mudança cultural que estamos submetendo as crianças no Brasil. Ele diz que a quantidade de absurdos que mente humana pode aguentar é limitada, depois de um certo ponto ela afrouxa e aí começa a aceitar qualquer coisa.

Ele ressalta que existem técnicas (muito usadas pelos políticos) para tornar as pessoas subservientes e dóceis.  Uma delas é pela estimulação do contraditório em que a gente fica desorientado e a reação instintiva é ceder e obedecer, pois “já que não sei o que fazer, alguém vai decidir por mim”, e é aí que mora os piores desastres da vida humana.

A coisificação da vida e a inversão de valores podem resultar no futuro próximo na legalização da pedofilia no Brasil, assim como houve a legalização do estupro em Dubai. Pois o infanticídio já está sendo até admirado pela população. Daqui a alguns dias quem protege as crianças será considerado, além de chato, um infrator. O certo será matar e estuprar criancinhas.

E para todos vocês que acham que ‘as novinhas estão um perigo’, que ‘essas meninas de hoje são assim mesmo’, ou pior, que ‘ninguém segura essas crianças de hoje em dia’, reflita de quem é a culpa pela estimulação ao erotismo na vida dessas crianças, dos abandonos temporários ao incapaz, deixando o menor a mercê de televisores, computadores e vulneráveis a influencias de adultos de má fé, e principalmente, se o pai, mãe e responsável têm moral necessária a criar e educar uma criança, ou se resumem a responsabilidade de ‘pai’ ou ‘mãe’ a alimentar, vestir e comprar o celular do ano.

*Petrina Nunes/professora, repórter e colunista. Formada em Letras pela Uneb/Campus X

 



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