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Corrida às concessionárias

Com a nova tabela de impostos, carros ficarão entre R$ 8 mil e R$ 20 mil mais caros. Quem pode está antecipando as compras. Estoques são de até um mês

 

Gerentes e donos de concessionárias se prepararam para uma corrida às lojas dos consumidores que desejam comprar um carro importado antes do aumento de 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A nova tributação pode encarecer os veículos de R$ 8 mil a R$ 20 mil, a depender da marca e modelo. Um carro de mil cilindradas, por exemplo, vendido hoje por R$ 23.990, passará a custar R$ 30.707. A expectativa em Brasília, terceira maior praça no varejo automotivo, é de movimento acima da média nacional já que aqui a participação dos importados nas vendas é de 10%, contra 7% no resto do país. Conforme publicado no Diário Oficial da União de ontem, o prazo para o início da sobretaxa é de 45 dias, e não 60, como havia sido informado quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Antes de os preços aumentarem, os consumidores correram para as concessionárias a fim de antecipar o financiamento. Foi o que fez Claúdio Ferreira, 35 anos. Ele financiou o carro, de R$ 24,9 mil, em 60 parcelas de R$ 751. “Pesquisei com calma. Não pretendia comprar um veículo importado, mas as condições dos carros fabricados aqui não atenderam minha expectativa. Além disso, os preços estão muito altos. Assim que soube que o imposto iria aumentar, não pensei duas vezes e decidi comprar hoje (ontem) mesmo meu novo carro”, contou.

O gerente comercial da concessionária da chinesa Cherry em Brasília, Marcelo Sampaio, se surpreendeu com a decisão do governo e assegurou que, por enquanto, os preços dos veículos da marca estã mantidos. “Essa realidade pode mudar a qualquer momento”, disse. A primeira atitude do gerente foi suspender as campanhas de marketing que seriam veiculadas esta semana. “Não pude deixar que o material fosse divulgado, afinal temos um futuro incerto”, emendou.

Thiago Felizola, 25 anos, juntou dinheiro durante um ano para trocar de carro e recorreu à ajuda da mãe, a aposentada Kátia Freires, 53 anos, para garantir um preço menor. De acordo com as contas da família, com o reajuste decidido pelo governo, o carro escolhido ficaria R$ 20 mil mais caro. “Insisti para ele vir à concessionária. O valor do carro ficou em R$ 65 mil. Negociamos uma troca pelo modelo antigo dele, avaliado em R$ 30 mil, e completamos a diferença. Se perdêssemos essa oportunidade, iríamos pagar R$ 55 mil e não R$ 35 mil”, explicou Kátia.

Estratégia
A Jac Motors, empresa que chegou ao Brasil há apenas seis meses, possui 6 mil carros no pátio, aguardando para ser vendidos no Distrito Federal. Segundo o gerente comercial da concessionária em Brasília, Jean Almeida, a empresa não vai sofrer no primeiro momento, mas precisa tomar uma medida para os próximos dias, porque o estoque só deve durar duas semanas. “Os diretores estão decidindo qual vai ser a estratégia que iremos tomar. Não tem nada concretizado, afinal sabíamos que o IPI iria aumentar, mas não em proporção tão alta”, afirmou.

Em nota, a Jac Motors informou ainda que conta com apenas 1% de participação nas vendas, e argumenta ter atuado como “reguladora de preços dos nacionais”. A companhia alegou que todas as marcas chinesas somadas representam 2,5% do mercado nacional e negou que haja uma invasão asiática no mercado brasileiro de automóveis. Todos os planos da Jac Motors para a construção de uma fábrica de automóveis no Brasil, que englobam o investimento de R$ 900 milhões, permanecem inalterados.

Condições
O analista de informática Gustavo Pedroza, 42 anos, havia planejado a compra do carro para dezembro, mas pensou duas vezes devido às novas condições dos preços dos veículos importados. “Vim até a loja, dei uma entrada de R$ 10 mil e financiei o restante em 24 parcelas de R$ 635. Se fosse esperar até o fim do ano, o preço certamente seria mais alto”, relatou. Bruno Gattai, diretor comercial da concessionária Hyundai em Brasília, explicou que a empresa suspendeu as tabelas de preços até a próxima quarta-feira. Outra decisão foi a de repassar 20% do valor do IPI para os consumidores, quando acabarem os estoques. Gattai tem 14 mil veículos no pátio e calcula que deve levar cerca de um mês e meio até que eles se esgotem.

Na avaliação de Alessandro Soldi, diretor do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal (Sincodiv-DF), o aumento do IPI sobre os importados irá prejudicar os consumidores e não alcançará o objetivo de proteger a indústria nacional. Ele argumenta que o motivo para os pátios das montadoras nacionais estarem cheios foi, na verdade, a restrição ao crédito. “Hoje, quase 60% da produção estão concentrados nos modelos populares, voltados para a classe média. Esse público não tem recursos suficientes para grandes entradas e precisa do parcelamento. Com o aperto no crédito, as vendas caíram em 20%”, relatou. Nelson de Sousa, professor do Ibmec contrapõe, contudo, que a flexibilização do crédito é uma arma perigosa e que, a médio e longo prazos, resultaria em uma bolha de inadimplência. A opinião de Sousa é compartilhada por Reginaldo Gonçalves, professor da faculdade Santa Marcelina.

*Ana Carolina Dinardo e Gustavo Henrique Braga


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