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Em meio à corrupção endêmica, cidadão ou consumidor? Eis a questão.

Carla Kreefft

A corrupção no governo federal se mostra endêmica. A operação Porto Seguro é reveladora. Um esquema de fora para dentro do governo, com tentáculos em vários órgãos importantes – fundamentais do ponto de vista da cidadania, já que se trata de agências reguladoras -, diluído entre agentes de segundo e terceiro escalões dispostos a receber pouco para fazer muito estrago. É o submundo da corrupção.

As medidas anunciadas pelo governo federal para investigar as suspeitas levantadas pela Polícia Federal são as necessárias. E só. Abrir sindicância e afastar suspeitos são iniciativas obrigatórias diante de um quadro como esse.

Preocupa a forma de atuação do grupo criminoso porque coloca em dúvida a validade de relatórios e pareceres técnicos e jurídicos do governo federal. É o risco de o poder público priorizar os interesses privados em detrimento dos coletivos. O direito do cidadão se perde em meio a negociatas, propinas, favores, cruzeiros e cirurgias plásticas.

E o que diz o PT sobre tantas e graves denúncias? Já não basta o partido ficar apresentando alguns índices positivos obtidos pelo governo federal. Abrir mais postos de trabalho e combater a miséria são ações importantes, muito importantes. Mas, diante de tanta denúncias de corrupção, a impressão que se tem é que, mesmo que esteja se fazendo muito para melhorar a vida do cidadão brasileiro, muito mais poderia ser feito. O PT parece querer validar a máxima: rouba, mas faz.

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E A ÉTICA?

A sociedade brasileira já demonstrou que ultrapassou a fase de aceitar qualquer governo em troca de benefícios sociais. Não é porque o governo tem boas iniciativas que lhe foi conferido o direito de praticar ilegalidades. A ética e a transparência estão na pauta. O julgamento do mensalão confirma o desejo popular.

A possibilidade de um envolvimento mais direto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é o ponto central das denúncias, mas também não pode ser relevado. A ex- assessora da Presidência da República em São Paulo Rosemary de Nóvoa Noronha era muito próxima do petista. A proximidade entre os dois, por si só, não pode configurar uma quadro de suspeição em torno de Lula. Mas, evidentemente, que tantos elos geram um clima insatisfatório de segurança.

Lula não é mais presidente, mas esteve à frente do comando do país por oito anos e exerce forte influência na atual gestão. A insegurança está posta e não será resolvida com números positivos do governo Dilma. Comprar geladeira, televisores e celulares não basta para se formar cidadãos.

A sociedade brasileira caminha para a distinção entre cidadania e poder de consumo. Distinção considerada fundamental, especialmente, para os teóricos de esquerda. Se é que ainda existem.

(Transcrito do jornal O Tempo)


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