banner
publicidade
publicidade

Especial: Ronaldinho, de herói a vilão

Foto: Divulgação/VipcommDoze de fevereiro de 2011. Sede da Gávea lotada para receber uma das maiores contratações da história do Flamengo. Torcedores, artistas e diretoria em polvorosa, cantando. Em frente à arquibancada principal do clube, um palco montado à espera de Ronaldinho Gaúcho, eleito por duas vezes o melhor jogador do mundo. Ao chegar, o astro assumiu o microfone e, para delírio dos presentes, disse: “Agora eu sou Mengão!” No entanto, um ano e cinco meses após sua apresentação ao time carioca, o cenário se mostrou bem aquém do planejado: além de não ter sido, nem parecido querer ser o gênio que todos esperavam, R10 tornou-se motivo de chacota, crises e dúvidas acerca de seu futuro, que não será mais no Fla.

A relação entre Flamengo e Ronaldo nunca foi firme como parecia deduzir a festa armada no primeiro dia. A recepção indicava “um namoro em estágio inicial”, quando tudo parece perfeito e, sem olhar para o futuro, deseja-se instantâneo ou a curto-prazo. O primeiro sinal de instabilidade aconteceu já no decorrer do Campeonato Brasileiro do ano passado. O meia, ícone dos tempos de Barcelona, alternava partidas fora de série, como no mítico Santos 4 x 5 Flamengo, com outras abaixo da média. De qualquer maneira, nada comprovava ainda o alto investimento feito para trazê-lo.

Começa a crise

No fim da temporada, eis que é noticiado algo que já se mostra habitual entre os grandes clubes do futebol brasileiro: R10 estava com salários atrasados. A Traffic, que ajudou na contratação, e responsável por 75% da mensalidade (R$1,2 milhão), resolveu deixar de pagar sua parte.

O impasse mostrava se agravar e, em janeiro, Gaúcho ameaçou não viajar para Santa Cruz de La Sierra, local onde o Flamengo iria se preparar para o jogo da pré-Libertadores, contra o Real Potosí, na altitude boliviana. O motivo seria a falta de pagamento.

Seis meses se passaram sem depósito da Traffic e a dívida já acumulava R$ 4,5 milhões. Cobranças eram feitas pelos três lados: do jogador ao clube, do clube à Traffic e vice-versa.

Demissão de Luxemburgo, chegada de Joel, eliminações e ‘férias’ forçadas

Foto: Divulgação/VipcommA crise, já instalada, sofreu o seu estopim no dia 2 de fevereiro de 2012. O então treinador do time rubro-negro na época, Vanderlei Luxemburgo, e toda a cúpula de futebol foram demitidos pela presidente Patrícia Amorim. Inclusive, a queda de Luxa teria se dado devido às rusgas com o camisa 10. Percebeu-se àquela altura que o atleta era intocável na Gávea, mesmo que não apresentasse nem de longe o futebol que todos esperavam ver.

Vendo que o problema não se resolveria, o Flamengo resolveu romper com a Traffic e assumir integralmente o salário e a dívida com o jogador.

Chegou Joel Santana, ídolo da torcida, conhecido como “bombeiro” de equipes em crise, dizendo que Ronaldo precisava de… “carinho”. Contudo, após uma primeira fase irregular na Copa Libertadores (duas vitórias, duas derrotas e dois empates) e uma eliminação melancólica na competição continental, “Papai” começava, aos poucos, a demonstrar insatisfação.

Enquanto isso, a torcida, bastante irritada com a falta de produtividade, pedia a saída do jogador, fazendo coro a algumas correntes dentro do clube.

Então veio outro baque: a queda no Campeonato Carioca sem disputar a final de nenhum dos turnos, o que não acontecia desde 2007. O Fla entrava de “férias” forçadas! Seriam 27 dias treinando para o Campeonato Brasileiro.

Este tempo escancarou ainda mais os problemas: faltas e atrasos de Ronaldinho, coisas não rotineiras em 2011, tiraram ainda mais do sério o treinador rubro-negro, que afirmou à imprensa: “Perguntem a ele por que não está rendendo”. Somado a isso, Assis, irmão e empresário do atleta, notificou o Mais Querido extrajudicialmente, alertando-o para os salários, que não estariam sendo pagos desde fevereiro.

‘Caso Assis’ 

A esta altura, a mídia questionava o futuro do jogador: “Ele está em fim de carreira”; “Está em declínio”; “Não vale o investimento”, diziam alguns especialistas.

Recentemente ocorreu o comentado caso em que Roberto Assis teria pego peças da loja Fla Concept sem quitar os produtos e usado como desculpa: “Não pagam meu irmão, também não vou pagar”. Em entrevista ao SRZD, porém, o empresário tratou de desmentir tudo, criticando a atitude da imprensa no caso.

Campeonato Brasileiro começa e más atuações continuam

Dezenove de maio de 2012. Começa o Campeonato Brasileiro. Jogo de estreia: Sport, em Recife. Ronaldo tem atuação discreta no empate melancólico diante da equipe pernambucana.

Segunda partida, contra o Internacional, em casa: mais uma atuação aquém do esperado, substituição (a quarta em todo seu período no clube; as outras três foram com Vanderlei Luxemburgo) e vaias da torcida, que após o duelo chegou a cercar seu carro na saída do estádio.

Doença de Dona Miguelina, liberação e amistoso em Teresina

Além da péssima fase dentro das quatro linhas, o meia também passava por um problema pessoal. Sua mãe, Dona Miguelina, descobriu um tumor e foi operada. R10, então, foi liberado dos treinos por três dias pela diretoria rubro-negra para ir a Porto Alegre.

Passaram-se os três dias e no quarto, último dia 30, Ronaldinho não apareceu nem deu satisfação.

A delegação do Fla viajou no mesmo dia a Teresina, Piauí, para um amistoso contra a seleção local sem seu maior astro, que voltou ao Rio horas depois.

O fim

O que parecia iminente já há algum tempo acabou se confirmando no chuvoso dia 31 de maio de 2012 na cidade do Rio de Janeiro. O casamento Flamengo-Ronaldinho acabou. O jogador entrou, no final da manhã, com uma ação na Justiça do Trabalho da Cidade Maravilhosa cobrando R$ 40.177.140,00, condizentes a 12 meses de previdência, fundo de garantia e mais cinco meses de salários.

À tarde, divórcio consolidado e declarações de Patrícia Amorim se dizendo surpresa com a atitude do Dentuço, que em sua passagem disputou 78 jogos e marcou 24 gols.

Foto: Vipcomm

Antes ‘intocável’ na Gávea, jogador sai pela porta dos fundos do clube


Comentários



radio
radio destaque
Fale conosco
TEIXEIRA VERDADE
CNPJ:14.898.996/001-09
E-mail - teixeiraverdade@gmail.com
Tel: 73 8824-2333 / 9126-9868 PLUG21