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EXCLUSIVO:ENTREVISTA DE RICARDO ALAGOANO EM MARÇO/2011

São três anos foragido, duas fugas de presídio e ultimamente pelo menos uma troca de tiros com a polícia. O alagoano Floro Calheiros é considerado uma “lenda” após ter sido acusado de vários crimes, entre eles o atentado contra um desembargador do TRE de Sergipe.

Neste último fim de semana ele surpreendeu a todos concedendo uma entrevista aos jornalistas Fabio Viana e João Augusto Freitas, do semanário Cinform em Sergipe. A entrevista causou uma coletiva da cúpula da segurança pública de Sergipe, que foi acusada por Floro de querer matá-lo ao invés de prendê-lo.

O Cadaminuto entrou em contato com o Cinform que cedeu trechos das entrevistas, onde Floro fala de sua vida em Alagoas.

Floro estava com um semblante calmo e encontrou a equipe do Cinform durante o carnaval. Ele começou revelando durante a entrevista, gravada por ele, que sempre morou em Maceió, em Alagoas

Sobre o apelido de Ricardo Alagoano, afirmou que sua mãe queria que se chamasse Ricardo e o pai, que se chamasse Floro, já que os outros irmãos tinham a inicial ‘F’.

O pai registrou Floro, mas a mãe, tias, avós e amigos o chamaram sempre de Ricardo. Alagoano, ele adquiriu em Teixeira de Freitas, quando chegou para comprar gado, já que vinha de lá de Alagoas. Floro Calheiros afirma categoricamente que não é um homem temido e diz sim que é respeitado por causa das grandes amizades que fez ao longo dos anos.

Floro viveu em Alagoas até 2004, onde trabalhou como assessor parlamentar e ganhou fama emprestando dinheiro para funcionários e até deputados daquela casa.

Veja alguns trechos da entrevista

Cinform – Como é viver como foragido?
Floro – Viver como um foragido não é fácil. Eu não desejo nem pra Luiz Mendonça, nem pra esses promotores, nem pra essas pessoas envolvidas nesse processo. Eu também não desejo pra ninguém. Mas eu quero dizer pra você que eu já estou foragido há oito anos. Então boa parte que eu tinha que aprender, eu já aprendi, como a gente nunca sabe de tudo, mas uma boa parte, eu já sei. Difícil eu acho que é pra eles começar a conviver com uma intriga na família deles.

Cinform – Como é ver sua família viver com o chefe às escondidas?
Floro – Eu tenho a certeza que a educação que eu dei a cada um deles foi a melhor. Meus filhos não andam armado em carro, meus filhos não vão a shopping, meus filhos não levam as suas mulheres pra passear no parque, tá entendendo? Meus filhos não são usuários de drogas e nem bebem. Então vejo os meus filhos sofrendo porque eles não têm uma vida social como os demais jovens. Mas eles dizem que pelo pai eles fazem qualquer coisa. A minha família faz qualquer coisa por mim. Eu agradeço isso, e agradeço a Deus pela criação, pela sabedoria que eu tive pra poder criar eles da forma que eu criei.

Cinform – Seus filhos comentam essa situação com o senhor?
Floro: -Sim, meus filhos comentam e meus filhos sempre que podem estão me dando forças, e a gente não aparenta o sofrimento, porque esse nosso problema não é o maior do mundo. Eu tenho certeza que tem gente com problema pior do que o nosso. Tem gente que hoje não tem um filho pra ver, tem gente que não tem o que comer hoje, tem gente que tem um filho deficiente, tem filho que não tem pai, tem filho que não tem mãe. Pra esse nosso problema, Deus proverá.

Cinform – Como é que o senhor é um homem rico e não pode usufruir do dinheiro que tem? Sua família usufrui?
Floro – Bom, essa minha riqueza eu não sei. Só pra você ter idéia: usufruir de riqueza é ter um carro novo? A minha família tem carro novo, e eu só ando em carro novo. É ter uma casa confortável? Eu tenho casa confortável, e a minha família tem casa confortável. É vestir uma roupa boa? Eu visto roupa boa. É comer bem? Eu como bem. É poder ajudar a quem você gosta, a quem você quer? Eu ajudo. Então eu sempre faço essas coisas que todos fazem. Eu acho que você faz isso na sua condição, eu na minha e outros nas deles. Se riqueza for isso?
Cinform – Há uma idéia no imaginário popular de que o senhor pode ser comparado a Lampião, seu conterrâneo pernambucano. O que o senhor acha disto?
Floro – Eu não sei se podem me comparar a Lampião. Lampião, pelo o que eu sei, não era um bom comerciante como eu sou. Ele não tinha o dom de ser o comerciante como eu tenho. Mas acredito que qualquer pessoa possa vir a se transformar em um se tiver a sua família destruída como ele teve. O que é que o leitor faria quando tivesse a família dele destruída e sem ter a quem recorrer pra que a justiça seja feita?

Cinform – O senhor sonha um dia se entregar à polícia?
Floro – Não. De forma nenhuma. Se fosse pra eu me entregar eu não fugiria. Quando surgir uma pessoa séria – não vai ser no Estado de Sergipe -, quando essas matérias saírem daqui desse Estado e começarem a andar a nível nacional e um homem de bem começar a se interessar pelo caso, e vier apurar os desmandos que existem aqui nesse Estado, aí sim, podem me chamar que eu quero me apresentar pra contar a minha história. Eu quero ver o que vai acontecer. Esse dia vai chegar e vai chegar logo, e esse Estado não vai agüentar. E os podres dessas pessoas vão aparecer e os que se julgam muito poderosos vão cair. Vejam o exemplo de Alagoas, que teve o Major Cavalcanti fazendo barbaridades. No dia em que quiseram resolver o problema, vieram e resolveram. A CPI da Pistolagem já foi aberta uma vez em Brasília pra apurar os desmandos. O caso da Missão aqui em Sergipe passou despercebido. Agora a historia é o Floro. Uma hora tudo isso vai acabar. Sabe o por quê? Porque homem dessa terra não tem poder. Quem determina é Deus. Deus determina e nem eu nem ninguém vai conseguir fazer nada. Vai acontecer sim e cada qual vai pagar pelos seus débitos. Se eu tiver, eu pagarei pelos meus e eles irão pagar pelos deles. Agora não é pra aqui não. Porque como você vê, quando eu fiz a denúncia em Brasília e veio pra aqui disseram que era pra Dra. Iolanda se retirar dos processos de Floro. Ela se retirou? Ela foi até o fim pra me pronunciar nesses processos.Inclusive nesse que eu vou ser julgado agora (Floro vai a júri no dia 6 de abril acusado no roubo das urnas de Canindé). Se ela tinha compromisso com a corja, ela honrou o compromisso. Parabéns pra ela. Mas está lá e eu estou dizendo a vocês aqui: ‘olhem se no inquérito não tem onde diz que a juíza Dra. Iolanda tinha que se afastar do caso’. E ela se afastou? E não é lei? A lei não é pra ser cumprida? E por que ela não cumpriu a lei? Então a lei está dizendo que se é pra eu me afastar, por questão de ética, eu vou me afastar. Mas não: ela continuou. Então porque tem lei pra Floro e não tem lei pros outros?

Cinform – O senhor já foi acusado de outros crimes fora do Estado de Sergipe?
Floro – Eu nunca respondi a nada nem em Alagoas nem em Pernambuco, e nem em Sergipe antes de 2003. Nem Bahia nem Rondônia, e nem em lugar nenhum da federação. Eu nunca estive em uma delegacia nem pra testemunhar a favor de um inocente.

*CINFORM E CADAMINUTO


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