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“Marketing Multinível” ou esquema pirâmide?

Os profissionais do marketing que me desculpem, mas aquilo que muitas vezes se tem chamado por aí de “Marketing Multinível” para mim é um esquema de pirâmide. Mais cedo ou mais tarde, os lesados descobrirão. Não há lucros que saltam em progressão aritmética ou geométrica. Somente a ganância é capaz de cegar uma pessoa dessa forma.

O esquema é idêntico em qualquer caso: adquira um produto ou serviço e você “ingressa” no sistema, no nível mais baixo.

A partir daí, você convence outras pessoas a adquirir o produto ou serviço e entrar no sistema, subindo de nível um pouco. Um percentual do dinheiro daqueles que entraram por sua indicação se transforma numa espécie de bônus, ou “dinheiro”, que fica numa “conta” (em nenhum banco) que registra seu “saldo”, suas “movimentações”, seus indicados etc.

Depois, você continua convencendo outros a entrar no sistema para ganhar mais percentual, mais bônus ou “dinheiro”. Esses novos ingressos, por sua vez, convencem outros a também ingressar no esquema.

Com isso, você e eles sobem um pouco mais de nível, pois você passa a ganhar bônus maiores por novos indicados ou ganha bônus sobre os bônus dos seus indicados, ou tem percentual dos indicados dos seus indicados. Às vezes, as regras sobre tais indicações são tão emaranhadas que torna difícil a compreensão completa, quicá deliberadamente.

Após certa quantidade de bônus, você solitica o seu “resgate”, pagando uma quantia em bônus ou “dinheiro”, debitada de sua “conta”, para você receber em sua conta verdadeira (em um banco real) uma quantia (nos esquemas internacionais, supostamente, em dólares convertidos ao câmbio do dia).

O resto é pura variação aqui e ali desse sistema básico.

Agora, eis o problema. A esmagadora maioria, em face das dificuldades encontradas no convencimento de outras pessoas, jamais alcançará o valor mínimo para resgate e abandonará o esquema antes disso. Em alguns esquemas pirâmide, após uma conversão, a vítima volta a estaca zero e deve iniciar tudo novamente, zerando os seus lucros efetivamente colhidos com a aquisição de novo produto ou serviço.

E agora o grande problema matemático. Supondo – só supondo – que um esquema dessa natureza consiga abocanhar os duzentos milhões de brasileiros existentes, vítimas de sua própria ganância, qual seria o resultado, considerando, por exemplo, que cada integrante conseguisse convencer apenas quatro outros cidadãos?

Eis a conta: 1…4…16…64…256…1.024…4.096…16.384…65.536…262.144…1.048.576…4.194.304…16.777.216…67.108.864…268.435.456 incautos!!

Por isso é esquema de pirâmide. Depois de quinze sequências de convencimento, toda a população brasileira não teria mais a quem convencer e o número de lesados seria imenso.

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Israel Nunes é Professor Universitário, Procurador Federal, Doutorando em Ciências Jurídicas pela Universidade Nacional de La Plata (Argentina) e autor do livro “Servidores Públicos: aspectos doutrinários, legislativos e jurisprudenciais” (Editora Nelpa, 2009).


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