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Movimento de Pessoas Crespxs e Cacheadxs: EncrespaAê !

Movimento de Pessoas Crespxs e Cacheadxs: EncrespaAê !

O movimento de Pessoas Crespxs e Cacheadxs é formado por 12 mulheres e um homem negro que optaram por fazer uso do cabelo crespo/cacheado como uma performance identitária política-ideológica, problematizando de que forma este se torna um símbolo de uma identidade étnica-racial brasileiro.

O Movimento nasceu no ano de 2014, na V edição do evento “Noites Negras”, realizado pelo colegiado de História do Departamento de Educação, Campus X  da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Nesta ocasião a instituição promove uma série de debates que dizem respeito às questões raciais em âmbito tanto nacional, quanto regional.

A partir daí, duas integrantes e fundadoras do movimento (Jéssica Silva e Mirla Kleille) começaram a refletir sobre o debate no que diz respeito às questões étnico-raciais, de identidade, empoderamento e a estética negra no âmbito da cidade de Teixeira de Freitas e cidades circunvizinhas através do I Encontro de Pessoas Crespxs e Cacheadxs. As ações desenvolvidas pelo movimento são de caráter educativo de forma continuada, em espaços escolares e não escolares além de atuar em redes sociais.

Em um ano de existência o movimento realizou diversas oficinas, ensaios fotográficos, rodas de conversa, exposições e atividades culturais, em escolas, ONG´s, espaços culturais e Universidade, trazendo reflexões que perpassam desde a estética negra, representatividade, ações afirmativas e inserção do negro no mercado de trabalho, apropriação cultural, racismo e branqueamento. Além disso nas oficinas é possível fazer demonstração de como usar elementos estéticos da cultura negra, como por exemplo: turbantes ou torço como antes era conhecido.

Nesta ocasião destaca-se a realização de ensaios fotográficos em diferentes contextos e espaços, visando a divulgação da estética negra, por meio artístico buscando a quebra de estereótipos e padrões construídos em nossa sociedade eurocêntrica, corroborando assim para empoderamento e o enfrentamento ao racismo.

O último ensaio fotográfico realizado pelo movimento foi intitulado como: EncrespaAê! A nomenclatura encrespa visa convidar as pessoas a “agitar as ondas” tornar-se “crespo, eriçado, ondulado”. Resgatando o cabelo crespo como símbolo de resistência.

Neste sentido o ensaio teve como inspiração o cotidiano do povo negro do extremo sul baiano valorizando assim o espaço e as manifestações artísticas culturais desses sujeitos. A primeira parte do ensaio foi realizado na cidade de Caravelas – Ba, em parceria com o Movimento Cultural Arte e Manha, no dia 17 de Abril.  A segunda parta foi realizada em Teixeira na ONG Paspas, no dia 01 de maio, tendo como conceito estético elementos do Hip Hop.

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O ensaio contou com as modelos crespas e membros do movimento e modelos convidados de Caravelas e Teixeira de Freitas, 1 maquiadora voluntária (Jessica Silva), 3 fotógrafos voluntários (Carla Galdino, Jaco Galdino e Eduardo Rodrigues).

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O modelo convidado Daniel Sousa, 21 anos, que participou da segunda etapa do ensaio fotográfico, disse que no momento que ficou sabendo que iria participar do ensaio ficou muito contente e ficou ainda mais feliz com o resultado. “O ensaio aconteceu em um clima bem descontraído, captamos a subjetividade coletiva e transformamos em arte.” Ele acrescenta que “a ideia parte do empoderameto e conscientização que deve cada vez mais ser valorizada e disseminada.” Isso é importante pois “as pessoas negras/afrodescendentes trazem consigo um estereótipo histórico cultural que muitas vezes é vinculada a uma postura pejorativa e discriminatória. Além disso o ensaio teve como conceito estético elementos do Hip Hop movimento de subcultura muito forte. Creio que promover essa valorização da cultura negra, da autoestima e de imagem afro que são elementos co-relacionados é fundamental para uma identidade social do sujeito como ser social que questione, provoque e se aceite acima de tudo.”

A modelo e participante do movimento, Lucy Passos, 22 anos, salientou que o processo de interação social vivenciado está possibilitando obter boas experiências, no que condiz a (re)construção da sua identidade negra. “Assim, minha autoafirmação vai de encontro à quebra de estereótipos estabelecidos por uma sociedade que se diz “não racista”, em que o negro é posto como o sujo, marginal.”

André Medina, 22 anos, modelo convidado expressou sua empolgação ao receber o convite para participar do ensaio. “Já conhecia o movimento e queria muito participar dessa luta pelo empoderamento e para quebrar com estereótipos criados para depreciar e agredir os negros e principalmente o uso natural de seus cabelos. Estou muito feliz por poder participar de algo dessa importância.”

A participante do ensaio e integrante do movimento, Sandra Rosa, 37 anos, conta que depois que assumiu o cabelo crespo, descobriu que não precisa viver presa a nenhum estereótipo. “Acima de tudo, compreendi que assumir o cabelo natural, é também um ato político que pode mudar completamente a vida das pessoas. Pude refletir também que quando uma pessoa é empoderada tem condições de empoderar a outras. E esse ensaio fotográfico veio pra valorizar essa beleza natural e única do povo negro.”

 


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