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Política é coisa de mulher?

Política é coisa de mulher?

Por Petrina Nunes

 

Há uma grande diferença entre ser o ‘líder’ do povo e ser o ‘representante’ do povo. Tivemos no Brasil grandes representantes, alguns amados e idolatrados até hoje, e apenas um político chegou próximo a ser líder, mas por própria incompetência não conseguiu convencer as massas por muito tempo, isso por causa de sua administração voltada a um público que, na verdade, queria sair da condição que se encontrava (os mais pobres).

Isso falando em homens. Pois não temos parâmetros para discutir sobre mulheres no poder em nosso país. Quando uma mulher toma a frente em algo está sempre associado à arte ou a programas sociais. Política, segundo a máxima popular que eu considero ridícula, “não é coisa de mulher”.

Contradizendo isso, a nossa atual representante do país, a Presidenta Dilma Rousseff, tem mostrado um governo que continua fielmente o do outro presidente, porém para o azar da nossa primeira presidenta, o povo anda sem paciência para políticos e suas politicagens.

Sobra para ela o papel de ser a culpada por todas as coisas e todos os problemas que há anos os governantes têm empurrado com a barrigada e disfarçado com “pão e circo”. As pessoas sabem que ela não é culpada por tudo, mas isso não importa, afinal, ela tem o agravante de ser mulher, e mulher em nosso país tem sempre que dar conta de tudo (trabalho, estudos, carreiras, filhos, casa, aparência, estética, romances, relacionamentos, alimentos), ou não?

Segundo o Senador Cristovam Buarque, nome de peso no senado e na educação em todo o país, ao questionar os últimos posicionamentos da presidenta, enfatiza o fato que ela parece ainda não estar falando a língua do povo que tem se manifestado nas ruas, mesmo tendo ido a rede nacional algumas vezes dizer que queria dialogar com os manifestantes a presidente se contradiz em suas atitudes, mostrando querer manipular a tão pedida reforma política no país.

Uma dessas formas de manipulação é a realização de um plebiscito que, pelo nível das perguntas, mostra levar o povo a atender a vontade do governo. Além de ser mais um gasto desnecessário, já que o povo nas ruas deixou claro onde é urgente a reforma política: na liberdade dos corruptos fazerem o que querem no modo de administrar o país. Além da certeza que eles têm em poderem ocupar os cargos políticos e ir burlando as leis contra corrupção e investigação do que eles praticam.

Dilma que seria a inovação, a cara nova da República, a esperança para se acabar com todos os corruptos e colocar a tão sonhada ‘ordem’ no país que vive em um ‘progresso’ nunca almejado, entra para a lista de representantes que nos decepcionaram e passa a ser veemente questionada pela população.

E além de aprender a cumprir o seu papel de somente representar e nunca liderar, a presidente ainda mostra que aprendeu direitinho a governar durante 4 anos pensando nos próximos 4 anos. E aí vive de olho nas bases aliadas, não retira os políticos que foram alvos de investigação em outros momentos de nossa história, afinal pertencem ao seu partido político.

A retirada de alguns companheiros seria, talvez, uma maneira de acabar com a revolta popular, mas como coloca Buarque “o maior inimigo da presidente Dilma é a candidata Dilma. A candidata não deixa a presidente agir”.

Quando tentamos comparar com outras mulheres no poder pelo mundo e história afora, não encontramos nada semelhante a Dilma Rousseff. A estadista Eva Perón, a Evita, por exemplo, que apesar de viver supostamente à sombra do esposo Juan Domingo Perón, ela que conquistava os cidadãos argentinos com sua veia artística sensível e convincente numa suposta política voltada ao povo, que ficou mundialmente conhecida como ‘peronista’, e marcou história não somente nos corações argentinos, como nos olhos de muitos outros políticos que tentaram também se tornar ‘pais ou mães’ dos ‘descamisados’ (como ela se referia aos mais pobres).

Outro nome político, mais recente, é o da falecida ex primeira ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, que durante os anos de 1979 a 1990 governou os britânicos com ‘mãos de ferro’, ficando conhecida com sua forma dura e honesta de conduzir o país. Apesar da falta de simpatia ela era também admirada pelo povo, mais precisamente pelas mulheres, que viam nela exemplo de senhora do lar e senhora do Estado.

E Dilma? Em que perfil ela se encaixa: a ‘mãe’ dos pobres e oprimidos ou a mulher dura no jeito de governar? Nos últimos dias não sabemos quem é Dilma, mas muitos levantam a hipótese de qual homem esteja aconselhando a presidenta de várias e ao mesmo tempo nenhuma personalidade. Tampouco sabemos no que dará esses momentos de: ora querer agradar o povo, ora querer agradar ao partido, ao Lula e aos aliados. Dilma começa a fazer o povo se questionar se o lugar dela era mesmo na presidência. Espero, como mulher que se atreve a debater sobre política, que isso não desanime outras personalidades femininas a insistirem em querer comandar o lar e o país, e tudo mais que tivermos direito.

*Petrina Nunes – professora, repórter e colunista. Formada em Letras pela Uneb/Campus X


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