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Saudades do Dr.Rômulo Sulz Gonsalves. Uma personalidade entre nós

Saudades do Dr.Rômulo Sulz Gonsalves. Uma personalidade entre nós

 

Helvécia tem contribuído de forma significativa para enriquecer a nossa região. Muitos de seus filhos alçaram vôo e se destacaram pela tenacidade, espírito de trabalho e inteligência, para construir  uma belíssima história. Entre eles registramos o nome de Rômulo Sulz Gonsalves. Ele nasceu em 1º de maio de 1932, filho  de João Gonsalves e Ignácia Sulz. O pai era  comerciante e fazendeiro instalado em Helvécia, nascido em Porto Seguro e descendente de uma linhagem de Gonsalves proveniente da Ilha da Madeira. A mãe, Dona  Ignácia, era filha de Henrique Sulz, imigrante suíço, próspero fazendeiro e um dos fundadores da então Vila de Helvécia. Ao todo o casal, João Gonsalves e Dona Ignácia, teve onze filhos, três desses falecidos ainda na infância. Rômulo era o quinto filho, muito parecido com o avô paterno, Joaquim, e por isso mesmo apelidado vovô pelos familiares. Essa aparência física também refletia bastante seu pai, João Gonsalves.  Rômulo  iniciou os estudos ali mesmo em Helvécia, na  escolinha doméstica de sua tia materna Emília, a única disponível na Vila.

EM TEÓFILO OTONI

A busca de maiores conhecimentos o levou a Teófilo Otoni, onde dividiu tempo de escola com trabalho, primeiramente junto ao comércio do Sr. Rachid Salomão. Tempos depois foi contratado para  o escritório de contabilidade do Sr. Ayl Barata Godinho, onde colocava em prática os ensinamentos do curso técnico de contabilidade feito na Escola do Professor Joaquim Portugal. Era um rapaz estudioso, vivo, dedicado ao trabalho.

NO RIO DE JANEIRO

Fez muitos amigos na época. Entre eles Ricardo Pinto dono do Jornal O Liberal de Teófilo Otoni , que o  indicou ao Deputado Gabriel Passos. Rômulo foi para o Rio em 1954, trabalhando inicialmente no Banco de Crédito de Minas Gerais e depois no escritório do Deputado Federal a quem fora apresentado. Nesse período de vida no Rio de Janeiro ele fez seu curso de Direito na antiga Universidade do Brasil, Praça da República. Em 1961, prestou concurso e foi aprovado para o cargo de Advogado da Petrobrás.

EM BRASILIA

Em janeiro de 1962, casou-se com Geny Pellicione, funcionária do Ministério da Fazenda, e mudou-se para  Brasília, convidado que fora para trabalhar no Escritório da Petrobrás, na nova capital. Em Brasília, nasceram seus quatro filhos, Mariane, Romulo Jr., Hugo e Carlos Henrique; estreitaram-se relações iniciadas no Rio, como as de Fábio Vogel, Carlitos e Nanto.   Também em Brasília nasceram e floresceram inesquecíveis amizades, como a de Eduardo Barreiros, médico nascido em Teófilo Otoni e antigo colega de colégio. Também era notável sua amizade com o General Hugo de Faria, a quem homenageou dando o nome Hugo a seu terceiro filho. Em 1967, reconhecido por suas virtudes, seu talento administrativo e sua liderança na condução do Escritório da Petrobrás,  seu colega de trabalho, Cunha Gonçalves, aproximou-o de Jarbas Passarinho, com quem também construiria uma sólida amizade, vindo a ser seu chefe de gabinete no Ministério do Trabalho e seu principal assessor na Reunião da Organização Internacional do Trabalho – OIT, em Genebra, Suíça.  Participou ainda da gestão do Ministro Jarbas Passarinho no Ministério da Educação, ocupando o cargo de Inspetor Geral de Finanças.

Dr. Romulo, embora cercado de sinceros e fiéis amigos, sempre considerou de modo especial suas ligações familiares, Dona Geny, seus filhos, netos e, destacadamente seus irmãos Roberio e Nilo, os quais, por ele, foram levados a morar, estudar e trabalhar no Rio de Janeiro.  A todos nunca faltaram a firmeza dos conselhos, o apoio social e a  atenção carinhosa.

CONDECORADO

Seus feitos a serviço do Brasil foram objeto de várias manifestações e moções formais de reconhecimento, merecendo destaque a comenda no grau de Cavaleiro da Ordem do Mérito Judiciário do Distrito Federal,  que lhe foi conferida  pelos serviços prestados na chefia do Gabinete do Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Desembargador Hermenegildo Gonçalves, no período de 1998 ao ano 2000.

Dr. Rômulo transferiu e concedeu a todos, filhos, netos, irmãos, sobrinhos primos e amigos a incumbência e o direito de continuar a sonhar seus sonhos.

RETORNO AO EXTREMO SUL

Alcobaça era seu sonho colorido, cuidadosamente edificado desde meados dos anos 60, quando anteviu e pactuou com Dona Geny seu futuro à beira mar. Na praia, sempre haveria de ter alguém. E ele conferia isso desde bem cedinho ao sabor da úmida e gentil brisa. Sua intimidade com aquele chão de areia ia além de nosso entendimento lógico. Chegavam a dialogar em surdos murmúrios.  Se deserta estivesse é porque ela estava só e carente.  Ele a ouvia e atendia seu pedido por companhia. Logo logo a marcaria com seus passos, nem que fosse para uma caminhadinha só até ali, na Cabana da Lia. Em dia de sol brilhante, calor para fazer jus ao refresco da brisa, ele cederia seu espaço pessoal cativo, em frente ao Hotel San Bernardo, ao primeiro, a todos, até ao último banhista. Praia cheia, alegria, movimento nas cabanas, o balançar das cadeiras de todos os tipos explicando as músicas sem sentido, era o que bastava para esverdear-lhe os olhos que se combinaria, por fim, com a cor do oceano.  O aperitivo do meio dia, o cochilo em seguida para reparar e reordenar forças e inspirações para o cair da tarde com a lua atrás dos coqueiros.

Era do segundo andar do Hotel  que ele olhava com ternura a praia, o oceano e a lua, sensação que fazia questão de compartilhar com parentes, amigos e até desconhecidos.

Queria Alcobaça sempre cheia e festiva. E fazia questão de contribuir para isso. Investiu em hotel e casas de aluguel na cidade tudo o que conseguiu amealhar com suas economias e rendas.  A prosa ganhava ânimo especial quando se falavam sobre as famílias, fossem elas de Teófilo Otoni, Helvécia ou qualquer localidade lindeira à Estrada de Ferro Bahia e Minas.  Se alguém se mostrasse triste ou pouco animado, lá vinha ele com as piadas, na maioria das vezes surradas de repetição. Não buscava reconhecimento pela originalidade, mas apenas o sorriso para quebrar a sisudez.

Agradava-lhe ouvir músicas de melodia marcante, como as de Ray Conniff, Henry Mancini, The Platters, Nico Fidenco, Johnny Mathis, Românticos de Cuba etc. Das brasileiras, curtia mais os cancioneiros de serestas, como Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Agostinho dos Santos e outros mais das “antigas”. Dá para entender que Dr. Rômulo gostava das coisas fáceis de gostar quando se tem um mar e uma bela praia a seus pés.

Mesmo já residindo em Alcobaça, Dr. Romulo passava períodos de duas a três semanas em Brasília, sempre hospedado no apartamento de seu irmão Nilo. Era no clube Cota Mil seu endereço dos sábados à tarde. Já não era mais o habilidoso atacante dos tempos de futebol de areia no Rio, quando mostrava categoria nas embaixadinhas e nos escanteios bem cobrados e, também, quando se esforçava  ao jeito de quem aspirava uma vaga no ataque do Madureira, seu clube carioca do coração. Não trocava por nada esse futebol no Cota Mil com os amigos  brasilienses, Ernani, Gilney, Eduardo, Paulo Mourão, Edvar, Clementino e outros. O futebol era jogado no gramado  e na mesa do bar, nessa sequência.  E como se falava na mesa… Era “papo pra mais de hora”, durava mais que o futebol propriamente jogado.

Dr. Rômulo, com 79 anos, na manhã de 19 de julho de 2011,  partiu e nos deixou lembranças maravilhosas e também saudades na forma de compromisso com a alegria e o bom humor.

 


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