Dólar e Bolsa caem com pesquisa eleitoral no radar a uma semana do segundo turno
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19 de outubro de 2026Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Moeda americana fechou em queda de 0,51%, cotado a R$ 5,046
O dólar fechou em queda de 0,51%, cotado a R$ 5,046, nesta segunda-feira (19), com os investidores atentos ao cenário eleitoral, a uma semana do segundo turno das eleições. A nova pesquisa de intenção de voto BTG/Nexus, divulgada nesta segunda, mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,15%.
O Ibovespa fechou em leve queda de 0,17%, aos 205.079 pontos, após abrir em alta, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, que recuaram em linha com a desvalorização do petróleo no mercado internacional. No fechamento, o barril do Brent, referência global para a commodity, caía 0,44%, cotado a US$ 109,38.
Na ponta positiva da Bolsa, ações de varejistas como Magazine Luiza, Lojas Renner e C&A subiram após o Citi recomendar a compra de papéis do setor e elevar suas estimativas para as empresas. Parte das ações de bancos também avançou, embora o Bradesco tenha recuado. Sobre o banco, o Itaú BBA divulgou relatório com preferência por outras instituições do setor, segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, o mercado brasileiro começou a semana em clima de cautela. O Ibovespa reverteu os ganhos da abertura e passou a cair, em meio à realização de lucros e às incertezas em torno do segundo turno das eleições presidenciais.
“As novas pesquisas eleitorais reforçaram o cenário de disputa acirrada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), aumentando a sensibilidade dos investidores às perspectivas para a política fiscal e econômica do próximo governo”, afirma Praça.
A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda mostrou o senador Flávio Bolsonaro com 50,3% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, ante 49,7% do presidente Lula. Os dois estão tecnicamente empatados.
A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada na terça-feira (13), Flávio tinha 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% de Lula. As oscilações ocorreram dentro da margem de erro, e a diferença numérica entre os candidatos caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual.
O primeiro debate entre os candidatos, realizado no domingo (18), teve pouco impacto sobre os mercados, segundo Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos. Para ele, o encontro foi marcado mais por ataques pessoais do que por propostas econômicas. “Quem mexe com preço agora são as pesquisas, não o debate”, afirma.
Na Faria Lima, o clima é de cautela, diz Trotta. Parte dos investidores considera a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, mas acompanha se o discurso de responsabilidade fiscal será mantido diante das promessas de campanha. Até o segundo turno, pesquisas eleitorais e sinais sobre a formação da equipe econômica devem continuar no radar do mercado.
Também nesta segunda, o boletim Focus mostrou aumento na projeção de inflação para 2027 e redução nas estimativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026, 2027 e 2028.
Os economistas consultados pelo BC (Banco Central) elevaram de 4,30% para 4,32% a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2027. A estimativa para 2026 permaneceu em 5,22%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2028, a projeção recuou de 3,79% para 3,75%.
As expectativas para o PIB caíram de 1,85% para 1,83% em 2026, de 1,4% para 1,32% em 2027 e de 1,83% para 1,81% em 2028.
A projeção para a taxa básica de juros permaneceu em 13,25% ao ano no fim de 2026. A estimativa considera dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) previstas para novembro e dezembro. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano.
No mercado de juros futuros, as taxas fecharam perto da estabilidade. O contrato com vencimento em janeiro de 2028 teve variação de 0,03 ponto percentual, para 12,885% ao ano. Na ponta longa da curva, a taxa do contrato para janeiro de 2035 fechou perto da estabilidade, em 12,902% ao ano.
No exterior, os rendimentos dos títulos do Tesouro dosEstados Unidos, conhecidos como Treasuries, fecharam em alta. Os papéis de dez anos rendiam 5,137% ao ano, com avanço de 0,06 ponto percentual, enquanto os títulos de 30 anos rendiam 5,471%, alta de 0,05 ponto percentual. Esses rendimentos influenciam o custo de financiamento e a atratividade relativa de investimentos em diferentes países.
Os investidores também acompanharam a movimentação das ações ligadas à inteligência artificial, após a redução da exposição a esses ativos nos últimos dias e a busca por oportunidades fora dos Estados Unidos. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities LLC, o Nasdaq acumulou queda próxima de 5% na semana passada, incluindo recuo de 2,14% na sexta-feira. O movimento reacendeu dúvidas sobre a capacidade de as empresas ligadas à inteligência artificial sustentarem suas valorizações.
A pressão também atingiu o mercado sul-coreano, concentrado em companhias de semicondutores, como Samsung e SK Hynix. “Essa concentração ajuda a explicar a intensidade das oscilações, uma vez que movimentos mais expressivos em poucas companhias podem provocar impactos relevantes sobre o índice”, diz o especialista.
Na avaliação de Castro Alves, a correção recente parece estar mais relacionada a fatores técnicos e ao posicionamento dos investidores do que a uma mudança estrutural nas perspectivas para a inteligência artificial. Nesta segunda, as ações em Wall Street se recuperaram, com alta dos papéis associados ao setor.
O Dow Jones, que reúne ações de grandes empresas americanas de diferentes setores, recuou 0,07%. O S&P 500, índice mais amplo do mercado acionário dos Estados Unidos, avançou 0,46%, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia e crescimento, teve alta de 1,11%.
Os investidores também acompanham as expectativas para a próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 82,8% dos investidores apostavam na manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano, enquanto 17,2% esperavam uma elevação da taxa.
A temporada de balanços corporativos ganha força nesta semana, com resultados de empresas de diferentes setores. Entre os nomes no radar estão Netflix, Meta, Tesla, 3M, Abbott, Philip Morris, Spotify e American Express. Segundo Castro Alves, os resultados das empresas de tecnologia merecem atenção especial após a correção recente.