Empresário baiano é alvo de operação da PF que investiga Banco Master
-
15 de janeiro de 2026
Foto: Divulgação/Reprodução
Por Mateus Soares
Empresário baiano, o investidor Nelson Tanure foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada ontem (14) pela Polícia Federal (PF) para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Tanure, conhecido no mercado brasileiro por investir em empresas em dificuldades financeiras.
Além do empresário baiano, a PF realizou diligências em endereços do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de familiares. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, chegou a ser detido durante a operação, mas foi liberado em seguida. Outro alvo é João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, empresa que administra fundos apontados pelos investigadores como parte do suposto esquema fraudulento.
De acordo com a PF a investigação apura indícios dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, relacionados à concessão de créditos considerados fictícios pelo Banco Master.
Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão também determinou o sequestro e o bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
Passado
Vale lembrar que, no fim do ano passado, Nelson Tanure já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal de São Paulo sob a suspeita de uso de informação privilegiada para obtenção de vantagens financeiras com ações da construtora Gafisa, da qual é acionista de referência. Na época, o empresário negou qualquer irregularidade. A denúncia tramita na 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, mas a defesa pediu o envio do caso ao STF, alegando conexão com as investigações que envolvem o Banco Master.
Segundo os advogados, durante o inquérito policial houve pedidos de busca e apreensão e de quebra de sigilo contra Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado, então acionistas do banco. A apuração também alcançou as gestoras Planner e Trustee, que integravam o conglomerado financeiro do Master.
“Os fatos materializados nessa persecução penal contemplam, entre outras pessoas físicas e jurídicas, os membros do Banco Master S/A, o próprio controlador Daniel Bueno Vorcaro e, ainda, a Master S.A. Corretora e a Trustee”, escreveram os advogados de Tanure à época.