Flávio e Lula iniciam 2º turno atrás do espólio de Cury, Renan e Caiado
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05 de outubro de 2026
Foto: Reprodução
Os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem iniciar a disputa do segundo turno de olho nos eleitores dos 10 candidatos derrotados na primeira etapa da eleição.
Os 10 nomes acumularam mais de 9,3 milhões de votos — cerca de 7,81% do total. Já a diferença entre Flávio e Lula ficou em pouco mais de 2 milhões de votos.
Com 99,99% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, o 1º turno teve o seguinte resultado:
- Flávio Bolsonaro (PL) — 56.104.268 votos — 47,03%
- Lula (PT) — 53.876.617 votos — 45,16%
- Escritor Augusto Cury (Avante) — 3.448.551 votos — 2,89%
- Renan Santos (Missão) — 2.675.878 votos — 2,24%
- Ronaldo Caiado (PSD) — 2.605.128 votos — 2,18%
- Zema (Partido Novo) — 326.486 votos — 0,27%
- Samara (UP) — 122.911 votos — 0,10%
- Hertz Dias (PSTU) — 43.103 votos — 0,04%
- Clariana Barao (DC) — 40.043 votos — 0,03%
- Edmilson Costa (PCB) — 22.693 votos — 0,02%
- Veterinário Wilson Grassi (Democrata) — 16.881 votos — 0,01%
- Rui Costa Pimenta (PCO) — 15.024 votos — 0,01%
Além desse eleitorado, os dois devem ficar de olho nos brasileiros que não votaram, já que a eleição teve a maior abstenção em quase 30 anos, com mais de 33 milhões de pessoas.
Cury termina em 3º e não indica apoio
Augusto Cury terminou a disputa presidencial na terceira colocação, com 2,89% dos votos válidos.
Segundo apurou o Metrópoles com integrantes da equipe do candidato, Cury, por enquanto, não deve apoiar nenhum dos dois finalistas.
A posição também aparece no pronunciamento divulgado pelo escritor depois do primeiro turno. Por meio de carta, Cury cumprimentou os dois candidatos que avançaram, mas não declarou voto.
“Quem ganhar, torço pra que governe pensando em um Brasil de esperança”, escreveu.
Durante a campanha, Cury criticou a polarização e condenou tanto o “lulismo” quanto o “bolsonarismo” ao defender mudanças no sistema político brasileiro.
Renan é crítico de Lula e Flávio
Renan Santos ficou em quarto lugar, com 2,24% dos votos válidos. O presidente do Missão tentou se apresentar durante a campanha como opção de direita fora do bolsonarismo.
Ele fez críticas tanto a Lula quanto a Flávio e afirmou durante a campanha que não votaria em nenhum dos dois em eventual segundo turno.
Até a última atualização desta reportagem, Renan não havia anunciado mudança de posição depois do resultado do primeiro turno.
Caiado aguarda conversa com Kassab
Caiado terminou em quinto lugar, com 2,18%.
Depois de ficar fora do segundo turno, Caiado afirmou que pretende conversar com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, antes de anunciar qual posição adotará.
“Vou guardar a minha coerência”, disse o governador ao comentar o segundo turno.
Caiado já apoiou Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, depois de se reeleger ao governo de Goiás no primeiro turno, declarou apoio ao então presidente na disputa contra Lula.
Na época, afirmou que estava ali para “declarar apoio à reeleição” de Bolsonaro e citou a parceria mantida entre os governos de Goiás e o federal.
Os elogios continuaram depois da eleição.
Em agosto de 2023, na entrega do título de cidadão goiano a Bolsonaro, Caiado afirmou que era preciso “reconhecer quem realmente é merecedor do título por ter trabalho prestado ao Estado de Goiás”.
Na campanha de 2026, porém, o governador passou a criticar integrantes da família Bolsonaro e disputou com Flávio a representação do eleitorado de direita.
Abstenção supera 33 milhões
As campanhas também terão pela frente os eleitores que não compareceram no primeiro turno.
Segundo os dados do TSE, 33 milhões de eleitores estavam ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado. É a maior taxa de abstenção desde 1998, ano em que Fernando Henrique Cardoso, o FHC, venceu o segundo mandato presidencial.
O número de eleitores ausentes é cerca de 15 vezes maior do que a diferença registrada entre Flávio e Lula na votação.
A abstenção tende a entrar especialmente no cálculo da campanha de Lula, que terminou o primeiro turno atrás de Flávio por um número bem menor de votos do que o montante de abstenções.
Em 2022, diferença foi de 2,1 milhões
A distância entre os dois candidatos também é próxima à registrada no segundo turno de 2022.
Naquela eleição, Lula derrotou Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10% dos votos válidos no 2º turno.
O petista recebeu 60.345.999 votos, contra 58.206.354 de Bolsonaro. A diferença foi de 2.139.645 votos, ou 1,8 ponto percentual.
Os apoios dos candidatos eliminados também fizeram parte da estratégia daquele segundo turno.
Simone Tebet, terceira colocada, declarou apoio a Lula. Ciro Gomes, quarto colocado, não declarou apoio a Lula, mas o partido dele na época, o PDT, ficou com o petista.
Soraya Thronicke não declarou voto em nenhum dos dois. Bolsonaro, por sua vez, recebeu o apoio de governadores e lideranças da direita, entre elas Caiado.
Depois do resultado desse domingo, Lula disse que o primeiro turno representava uma “lição da democracia” e afirmou que “no segundo turno começa uma nova campanha”.
Flávio comemorou a primeira colocação e afirmou, em discurso depois da votação, que o resultado representa o início do “fim da era do PT”.
Fonte: Metropoles