Justiça devolve comando do DC na Bahia a Ariel Capistrano

-
22 de agosto de 2026
Compartilhar:

Foto: Divulgação/Internet


Por Henrique Brinco

A desembargadora Patrícia Didier de Morais Pereira, do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), extinguiu a ação que mantinha José Estêvão no comando estadual do Democracia Cristã (DC). Com a decisão, a presidência da legenda volta para Ariel Capistrano, reabrindo mais um capítulo da crise interna que colocou o partido no centro de um imbróglio eleitoral às vésperas da disputa pelo Governo da Bahia.

A decisão ocorre em meio à disputa entre Estêvão e Capistrano pelo direito de representar o DC na eleição para o Palácio de Ondina. Os dois tiveram seus nomes lançados por alas distintas da legenda e aguardam a definição da Justiça Eleitoral sobre qual convenção partidária será considerada válida. A situação chegou a produzir dois pedidos de registro de candidatura no sistema da Justiça Eleitoral, após convenções realizadas em dias consecutivos, em 1º e 2 de agosto.

A crise começou a se aprofundar em junho. No dia 10 daquele mês, sob o comando de Ariel Capistrano, o DC anunciou a retirada da pré-candidatura de Estêvão ao governo estadual. Na ocasião, a legenda alegou que o então pré-candidato “não apresentou desempenho eleitoral competitivo, não alcançando pontuação que demonstrasse viabilidade para a disputa” e indicou uma possível composição em apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Dias depois, contudo, o cenário mudou. Já sob o comando de Estêvão, o partido divulgou uma nova posição e informou que ele havia reassumido a pré-candidatura ao governo. Segundo o comunicado, a decisão havia sido tomada por uma comissão executiva cuja legitimidade posteriormente foi questionada pela direção nacional da legenda. O episódio desencadeou uma sequência de decisões judiciais e mudanças no comando estadual.

O conflito chegou ao auge no início de agosto, quando foram realizadas duas convenções estaduais em um intervalo de apenas um dia. A primeira, em 1º de agosto, foi conduzida por Ariel Capistrano e homologou seu nome para a disputa. No dia seguinte, outra convenção, presidida por José Estêvão, confirmou sua candidatura ao governo.

Capistrano questionou a validade da segunda convenção e recorreu à Justiça Eleitoral para suspender os efeitos de sua destituição da presidência regional. Ele sustentou que havia sido nomeado presidente estadual do DC em 9 de abril de 2026, com mandato previsto, em tese, até 8 de abril de 2027.

O TRE-BA já havia informado que a definição sobre qual ata será considerada válida deverá ocorrer durante a análise dos registros de candidatura. A corte também esclareceu que a existência de uma dissidência interna não impede o protocolo de pedidos distintos, cabendo à Justiça decidir posteriormente sobre a validade dos atos partidários.

Em contato com o site BNews, Estêvão afirmou que pretende recorrer da decisão. “Nossa equipe entende que tínhamos a legitimidade para fazer a convenção na época em que foi feita, e por isso vamos recorrer”, declarou.

Compartilhar: