Novembro Azul: atividade física está associada a menor risco de câncer de próstata, aponta pesquisa
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04 de novembro de 2026Novembro Azul: atividade física está associada a menor risco de câncer de próstata, aponta pesquisa
No mês de conscientização sobre a saúde do homem, profissional de Educação Física Jauan Anselmo destaca o papel do condicionamento físico, da musculatura e do acompanhamento individualizado na promoção da saúde, sem substituir exames e avaliação médica.
A prática regular de atividade física é uma importante aliada da saúde masculina e também vem sendo investigada pela ciência em relação ao câncer. No contexto do Novembro Azul e do Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado no próximo dia 27, o profissional de Educação Física Jauan Anselmo chama a atenção para evidências que associam melhores níveis de condicionamento físico a menor risco de câncer de próstata e a melhores desfechos entre pessoas que convivem com a doença.
O tema ganha relevância diante da estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil, entre 2026 e 2028. O número corresponde a aproximadamente 30,5% dos novos casos de câncer entre homens, excluindo os tumores de pele não melanoma. A dimensão desses dados reforça a importância da informação, do acompanhamento médico e da atenção à saúde masculina.
Para o personal trainer e especialista em fisiologia do exercício, é fundamental compreender que o exercício físico não deve ser apresentado como uma garantia contra o câncer, mas como parte de um conjunto de hábitos associados à saúde e à redução de fatores de risco. O profissional destaca que o treinamento regular melhora a capacidade cardiorrespiratória, fortalece a musculatura e contribui para o controle do peso e de processos inflamatórios.
“Quando falamos sobre atividade física e câncer, precisamos ter responsabilidade para não transformar uma associação científica em promessa de prevenção. O que sabemos é que melhorar o condicionamento traz benefícios importantes para a saúde e que há uma relação entre melhores níveis de aptidão e menor risco de alguns desfechos relacionados ao câncer, incluindo o de próstata. Treinar é uma estratégia de fortalecimento do organismo, mas não substitui consulta, avaliação ou exames médicos”, pontua Jauan.
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Evidências científicas
Uma pesquisa publicada no British Journal of Sports Medicine acompanhou 57.652 homens suecos que realizaram avaliações de condicionamento cardiorrespiratório em bicicleta ergométrica. Durante o acompanhamento, 592 participantes desenvolveram câncer de próstata. Os pesquisadores observaram que homens que apresentaram aumento superior a 3% na aptidão cardiorrespiratória tiveram risco 35% menor de desenvolver a doença em comparação àqueles cuja capacidade física diminuiu. O estudo identificou uma associação com a incidência do câncer, mas não encontrou relação significativa com a mortalidade pela doença.
Outra revisão sistemática publicada na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, vinculada ao American College of Sports Medicine (ACSM), analisou dezenas de estudos sobre atividade física e câncer. Entre os resultados, pesquisas com homens diagnosticados com câncer de próstata apontaram associação entre níveis mais elevados de atividade física e redução de até 49% no risco de mortalidade geral e 38% na mortalidade específica pela doença, em comparação aos grupos menos ativos.
Os autores, contudo, ressaltam que esses resultados são observacionais e não significam que o exercício, isoladamente, determine a evolução do câncer.
Para explicar parte dos mecanismos envolvidos, o especialista destaca o papel do músculo como um órgão metabolicamente ativo. Durante a contração muscular, são liberadas substâncias chamadas miocinas, que atuam na comunicação entre os músculos e outros órgãos e participam de processos relacionados à regulação metabólica e inflamatória.
“Quando o músculo trabalha, ele também libera substâncias que participam da comunicação com diferentes sistemas do organismo. É por isso que hoje entendemos a musculatura como um órgão endócrino. A prática regular de exercícios contribui para melhorar o ambiente metabólico e a regulação de processos inflamatórios, embora ainda existam pesquisas em andamento para compreender todos esses mecanismos e sua relação com os diferentes tipos de câncer”, explica.
Exercício durante o tratamento
Além da relação com o condicionamento físico e os indicadores de saúde, a atividade física tem papel importante para pessoas que já receberam o diagnóstico de câncer. Durante tratamentos como quimioterapia e radioterapia, a fadiga relacionada à doença pode comprometer a disposição, a força muscular e a capacidade de realizar tarefas cotidianas.
Diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) recomendam exercícios aeróbicos e resistidos, quando clinicamente indicados, como estratégia para reduzir efeitos adversos do tratamento. As evidências apontam benefícios na redução da fadiga, na preservação da força, da capacidade cardiorrespiratória e da funcionalidade.
Nesse contexto, Jauan chama a atenção para a responsabilidade dos profissionais de Educação Física que acompanham pessoas em tratamento oncológico. A prescrição não pode seguir os mesmos parâmetros de um aluno sem comprometimentos de saúde: é necessário considerar o tipo de câncer, as etapas do tratamento, os efeitos colaterais, as limitações funcionais e as orientações da equipe médica.
“O personal trainer precisa compreender que acompanhar um aluno oncológico exige preparo, escuta e responsabilidade. Não é simplesmente adaptar uma ficha de treino ou reduzir a carga, mas entender que aquela pessoa pode apresentar oscilações de energia, alterações de força, dores e diferentes respostas ao tratamento. O planejamento precisa ser individualizado, respeitando os limites do paciente e mantendo diálogo com a equipe de saúde. Em alguns momentos, o objetivo será desenvolver força; em outros, preservar a funcionalidade e ajudar a pessoa a manter sua autonomia”, ressalta.
O profissional reforça que o exercício deve ser encarado como parte complementar do cuidado, e não como substituto de tratamentos ou acompanhamento médico. A avaliação das condições clínicas e a liberação da equipe responsável são fundamentais antes do início ou da retomada dos treinos.
Ao abordar o Novembro Azul, Jauan também destaca que homens fisicamente ativos não devem negligenciar consultas e exames. A prática de exercícios não elimina o risco de desenvolver câncer de próstata, e o acompanhamento médico continua sendo indispensável, especialmente diante de fatores como idade e histórico familiar.
“O homem que treina, se alimenta bem e mantém bons indicadores de condicionamento também precisa cuidar da saúde de forma completa. Não podemos confundir qualidade de vida com imunidade a doenças. A atividade física é uma ferramenta importante, mas não substitui os exames, a consulta com o especialista ou o diagnóstico precoce. O melhor caminho é combinar movimento, hábitos saudáveis e acompanhamento profissional”, conclui.