Preço do botijão de gás de cozinha sobe novamente na Bahia

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28 de agosto de 2026
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28/08/2026 06:29
3 horas e 16 minutos

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


Por Marcos Vitório

O preço do botijão de gás de cozinha vai pesar mais no bolso dos baianos a partir da próxima terça-feira (1º). O produto terá um reajuste de 8%, conforme anunciado pelo Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sinrevgas). Na prática, a alta pode representar até R$ 10 a mais no valor pago pelo consumidor final em várias regiões do estado. Segundo o sindicato, o aumento está relacionado ao dissídio coletivo da categoria, que passa a valer em 1º de setembro.A entidade afirma que o reajuste terá impacto em todo o estado, já que os municípios são abastecidos pelas mesmas bases de suprimento.

O impacto nas distribuidoras é imediato, refletindo na margem repassada para o comércio final. Em Salvador e na Região Metropolitana, o Sinrevgas estima que o botijão de 13 quilos passe por alteração significativa. O produto atualmente vendido por cerca de R$ 120 para quem retira na distribuidora deve passar a custar aproximadamente R$ 130. Já para quem opta pela entrega em casa, o preço médio deve subir de R$ 140 para cerca de R$ 150. A diferença entre as duas modalidades se deve aos custos operacionais do transporte, que pesam bastante no orçamento das revendas.

Custos

Esses custos incluem combustível, manutenção de veículos, taxa de entrega e equipe de entregadores. Muitos estabelecimentos não conseguem absorver essa taxa sem fazer o repasse direto para o cliente. Mesmo antes do novo reajuste, os preços já apresentavam ampla variação de acordo com a pesquisa de mercado. Em Salvador, dados da plataforma Preço da Hora registrados na quarta-feira (26) mostravam valores entre R$ 117 e R$ 155.

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Em Feira de Santana, a variação encontrada foi ainda maior, oscilando entre R$ 105 e R$ 280. A discrepância revela como a concorrência local e a localização geográfica influenciam no preço final. Histórico de oscilações no preço ao longo de 2026. O novo aumento acontece após uma longa sequência de oscilações no preço do GLP ao longo de todo este ano: Janeiro: Alta de 2,38% (impacto de cerca de R$ 5 no valor final). Fevereiro: Queda de 4,19% (redução de cerca de R$ 1,80 no valor final). Março: Período de preços estáveis nas distribuidoras da região. Abril: Nova alta expressiva de 15,2% (impacto de cerca de R$ 8 no valor final). Maio: Reajuste de 4,3% (absorvido pelas revendas, sem repasse direto ao consumidor). Junho: Alta de 9,59% no GLP das refinarias (impacto de cerca de R$ 8 no valor final). Julho: Queda de 6,8% (redução de cerca de R$ 5 no valor final). Agosto: Nova queda de 7,1% (redução entre R$ 3 e R$ 4 no valor final).

Saldo

Apesar dos recuos recentes verificados em julho e agosto, o saldo do ano continua positivo para o encarecimento do produto. A sequência de altas acumuladas volta a pressionar o orçamento das famílias que dependem do gás diariamente para cozinhar. Estratégias de economia e o peso direto no orçamento. Diante da nova alta prevista, a orientação do Sinrevgas é antecipar a compra do botijão antes da entrada em vigor da nova tabela. A busca direta na revendedora também é apontada pelo setor como a alternativa mais viável para fugir da taxa de entrega.

No entanto, nem todos os consumidores possuem transporte adequado para realizar o carregamento do produto com segurança. Para a dona de casa Maria do Carmo Souza, moradora do bairro de Pernambués, qualquer reajuste desorganiza as contas do mês. “Quando o gás aumenta, a gente precisa tirar dinheiro de outra despesa essencial, como a feira ou o remédio. É um produto que não dá para cortar ou deixar de comprar, porque precisamos cozinhar todos os dias”, desabafa a consumidora.

Diferença

Ela relata que o jeito é economizar no uso diário do fogão para fazer a carga durar mais tempo. A diferença de preço entre buscar o produto ou pedir em domicílio também divide as escolhas das famílias baianas. “Se eu tiver como ir buscar de carro com meu marido, prefiro retirar na loja para economizar esses R$ 20. Mas nem sempre dá tempo ou tem como carregar o peso do botijão, então a entrega acaba sendo uma necessidade, mesmo custando mais caro”, relata a autônoma Juliana Ribeiro. Para quem mora sozinho ou não tem veículo, a taxa de entrega se torna um custo praticamente inevitável.

Do outro lado da ponta, os comerciantes alegam que repassar o reajuste é inevitável diante da elevação constante das despesas .”O consumidor sente o impacto na ponta final, mas a revenda também enfrenta custos crescentes para manter a porta aberta. A taxa de entrega envolve combustível, manutenção dos veículos, folha de pagamento e encargos. Não temos margem para absorver o dissídio sem ajustar a tabela”, explica o revendedor Márcio Bastos. Segundo ele, as margens de lucro dos pequenos comerciantes estão cada vez mais enxutas.

Atenção

O sindicato reforça que, além do preço cobrado, o consumidor deve ter atenção redobrada à segurança do produto. A recomendação é adquirir o botijão apenas em revendas autorizadas e devidamente regularizadas. Esses locais devem apresentar a sinalização visual exigida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A compra em locais clandestinos pode representar sérios riscos de vazamento, acidentes e adulteração na quantidade de gás.

Acelen aguarda nova tabela do GLP para distribuidoras

Em nota enviada à reportagem, a Acelen, empresa responsável pela Refinaria de Mataripe, informou que atualizou os preços dos combustíveis nesta quinta-feira (27). Para as distribuidoras, a gasolina passou de R$ 3.655,90 para R$ 3.557,00, representando uma redução de 2,7%. O diesel S10 caiu de R$ 6.005,70 para R$ 5.906,70 (-1,6%) e o diesel S500 foi de R$ 5.233,40 para R$ 5.134,40 (-1,9%). Sobre o gás de cozinha, a assessoria da Acelen esclareceu que o reajuste da refinaria é direcionado às distribuidoras.

A nova tabela de preços do GLP para as distribuidoras deve ser divulgada entre os dias 31 de agosto e 1º de setembro. A empresa ressaltou que a definição do valor pago pelo consumidor final cabe aos revendedores em cada município. A Acelen destacou ainda que os preços praticados na Refinaria de Mataripe seguem critérios técnicos e transparentes de mercado. A companhia leva em consideração variáveis como o custo do petróleo a preços internacionais, o câmbio e os custos de frete. A empresa também informou que a implementação do programa de subvenção da gasolina e do diesel segue em linha com o processo regulatório. Diante das variações da refinaria e do repasse das revendas, a pesquisa de preço continua sendo fundamental para o consumidor.

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