Quase 40% dos professores no Brasil não têm formação adequada
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02 de agosto de 2016Mais de 40% dos professores brasileiros ensinam disciplinas sem a devida habilitação.
Nas redes públicas de ensino, cerca de 38% dos 518 mil professores que lecionam ao longo do país dão aulas em disciplinas diversas sem a devida habilitação. Os dados foram extraídos do Censo Escolar de 2015 e publicados pelo próprio Ministério da Educação (MEC). O fato é que a maioria das redes públicas de ensino do país está superlotada e o número de professores que lecionam mais de uma única disciplina equivale à metade do número de professores ativos no país. A situação é ainda mais crítica em matérias como física, por exemplo. Do total de 27.800 professores que lecionam a disciplina, mais de 19 mil não estão habilitados, ou seja, 68% deles. Em outras matérias, como Geografia, 62% dos professores brasileiros apresentam qualificação inadequada. Em história e Ciências, esse índice fica em torno de 60%.
A questão não é se os docentes têm ou não experiência na sala de aula, mas se têm a qualificação adequada para ensinar determinada disciplina, a fim de não ensinar de forma improvisada, com o intuito de apenas completar a grade horária. Reverter isso é um grande desafio para o país, o que acaba repercutindo no desenvolvimento dos alunos, que precisam investir em aulas particulares ou passar por cursinhos mais tarde. A profissão, eventualmente, acaba desmotivando os adolescentes e esse desinteresse contribui, diretamente, para a falta de mão de obra que já se mostra intensa nessa área.
MEC anuncia medidas para a formação docente
Com o objetivo de diminuir essas taxas alarmantes, o MEC anunciou que lançará a Rede Universidade do Professor com o intuito de estimular os professores a completarem seus estudos e concluírem sua formação. Inicialmente, o governo pretende oferecer 20 mil vagas em universidades federais, 4 mil em institutos federais e 81 mil de formação à distância. O então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou em uma coletiva de imprensa que nenhum professor efetivo, que está dando aulas em sala de aula, deixará de concluir sua formação. Se houver faltas, sairemos em busca das instituições privadas. “Se quisermos ter mais qualidade em nossa educação, precisamos melhorar com urgência a qualificação dos nossos professores”, reiterou Aloizio Mercadante.
Aqueles que já possuem uma formação na área e lecionam terão a oportunidade de aproveitar os conhecimentos em um curso de licenciatura, reduzindo sua carga horária. A experiência em sala de aula é outro fator que será avaliado, podendo contribuir para a redução do tempo de estágio obrigatório. Para
o ano de 2017, o objetivo do MEC é fazer uma reformulação no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), a fim de oferecer aos professores cursos complementares de férias. O ministro da Educação afirmou ainda que haverá uma implementação de laboratórios de ciências em escolas que tiverem professores matriculados em licenciaturas em Biologia, Física, Ciências e Química. Vale lembrar que, conforme o Censo da Educação Básica, mais de 50% das redes públicas de ensino médio não dispõem de laboratórios de ciências. O ministro também cita a preferência na carga horaria das escolas e outros benefícios para quem participar dos cursos complementares, incluindo o aumento da remuneração.